Exposição Internacional ‘Quem é o homem do Sudário?’

PROGRAMAÇÃO

 

BATE-PAPO TEOLÓGICO SOBRE O SUDÁRIO

inscricoesBotao

A paixão de Jesus segundo os relatos dos Evangelhos

com João Luís Fedel Gonçalves

Mestre em Bíblia e assessor do Setor de Vida Consagrada e Laicato do Grupo Marista

24/04/2017 | 19h30min | Prédio da Tribuna

 

Representações artísticas da paixão de Jesus ao longo da história

com Pe. Marcial Maçaneiro, scj

Doutor em Teologia e professor da PUCPR

24/05/2017 | 19h30min | Prédio da Tribuna

 

A Paixão de Cristo na literatura

com Alex Villas Boas

Doutor em Teologia e professor da PUCPR

01/06/2017 | 19h30min | Prédio da Tribuna

 

VIGÍLIA DE PENTECOSTES E ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO

02/06/2017 | 18h30min | Paróquia Universitária

 

VISITAS

Individuais ou pequenos grupos

  • Segunda a sexta-feira: 10h às 21h
  • Sábado: 9h às 17h
  • Prédio da Tribuna (junto a arquibancada da concha acústica, ao lado da biblioteca)

Visitas guiadas (para grupos acima de 20 pessoas):

Caderno Café Filosófico | As Políticas do Perdão

O novo Caderno Ciência e Fé traz os registros do Café Filosófico 2015, com reflexões sobre As Políticas do Perdão. Na mesma medida que proliferam os pedidos de perdão e as cenas de arrependimento, em especial com a implantação, em diversas partes do mundo, das Comissões de Justiça e Paz, vemos aumentar os crimes de guerra, os terrorismos, os fascismos e as violências cotidianas, extremas e, por vezes, banais.

Diante disso, podemos perguntar: o que significa perdoar? Quais são os limites jurídicos, religiosos ou filosóficos do perdão? É possível perdoar o “imperdoável”? Para tentar responder a estas questões e, sem dúvida, abrir para outras, temos reunidas aqui as palavras de Peter Pál Pelbart, em As Imagens do Intolerável, de Oswaldo Giacoia Jr., em O Perdão sob o Ponto de Vista das Filosofias das “Vontades de poder”, e de Jeanne Marie Gagnebin, em Esquecimento, Anistia e Perdão.

Publicação: Instituto Ciência e Fé da PUCPR
Editora: Universitária Champagnat

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Observatório das Juventudes

Criado em 2013, o Observatório das Juventudes faz parte do Instituto Ciência e Fé da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR e está inserido no contexto das ações afirmativas em torno da temática juvenil.

Partimos da compreensão da juventude como uma fase da vida com características próprias e marcada por diversidades e desigualdades. Os jovens são sujeitos de direitos que vivenciam momentos de formação pessoal, social, espiritual e profissional. A juventude é um momento de experimentação e de construção de projetos de vida.

O observatório busca intervir junto aos jovens por meio de pesquisas sobre juventude e condição social; assessoria de ações e projetos voltados à juventude; formação de jovens e educadores de jovens; monitoramento da condição juvenil no contexto social brasileiro; incidência nas políticas públicas voltadas para a juventude.

Conheça mais em http://observatoriodasjuventudes.pucpr.br.

Laboratório de Estudos

O Instituto Ciência e Fé, da PUCPR, em parceria com o Memorial Marista, recebe neste mês de maio o Irmão André Lanfrey, doutor em História e professor aposentado da Universidade de Lyon, na França. Prof. Lanfrey é orientador do grupo de pesquisadores da PUCPR e do Memorial Marista, que constituem o Laboratório de Estudos, que entra em sua segunda e última etapa.

O grupo estuda a vida e a obra do Irmão Francisco Rivat, primeiro sucessor do Padre Champagnat na condução do Instituto Marista. Seu extenso corpus, com mais de cinco mil folhas de anotações, ainda não foi publicado nem estudado criticamente no seu conjunto. Da mesma forma, sua importância no desenvolvimento do Instituto, nos seus inícios, necessita ser pesquisada, a partir de uma abordagem multidisciplinar. No momento, os pesquisadores apresentam o resultado de suas pesquisas para discussão e aprimoramento. O resultado será publicado em livro, ainda este ano.

Conheça mais sobre o Laboratório de Estudos.

ProUni

O projeto “Advocacy ProUni” consiste em uma ação de pesquisa, incidência política e boas práticas sobre o acesso e permanência de estudantes bolsistas na PUCPR. O Observatório das Juventudes vem desenvolvendo um conjunto de pesquisas quantitativas e qualitativas que têm como objetivo buscar conhecer quem são os estudantes bolsistas, como ocorre o processo de inserção desses estudantes no ensino superior e as dificuldades enfrentadas por esses sujeitos.

No ano de 2015 foi constituído um grupo interdisciplinar de professores pesquisadores que, por meio de projetos PIBIC, estão investigando a situação de jovens estudantes bolsistas nas diferentes escolas da universidade. Essas pesquisas, somadas ao trabalho de monitoramento institucional, vêm sendo debatidas em diferentes instâncias da universidade no intuito de se pensar ações que contribuam com a formação desses jovens bolsistas na perspectiva do direito à educação superior.

Conheça mais em http://observatoriodasjuventudes.pucpr.br .

Átrio dos Gentios | Educar à pessoa, à caridade, à verdade

Estas páginas guardam uma mensagem atual e urgente para o mundo da educação e para a sociedade em geral. Trata-se do discurso proferido aos professores da PUCPR pelo Cardeal Gianfranco Ravasi, por ocasião do recebimento do título de Doutor Honoris Causa. Como ele mesmo cita ao final do texto, fazendo referência a Gandhi, “O homem destrói-se com a política sem princípios; o homem destrói-se com a riqueza sem fadiga e sem cansaço; o homem destrói-se com a inteligência sem a sabedoria; o homem destrói-se com os negócios sem a moral; o homem destrói-se com a ciência sem humanidade; o homem destrói-se com a religião sem a fé (como o fundamentalismo ensina); o homem destrói-se com um amor sem o sacrifício e a doação de si”.

 

Lectio Magistralis de S.E. Cardeal Gianfranco Ravasi

Por ocasião do doutoramento honoris causa

Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 12 de abril de 2016

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Átrio dos Gentios

O Projeto Átrio dos Gentios é uma resposta ao discurso inspirador de Bento XVI, de 21 de dezembro de 2009.  Atualmente, o Papa Francisco reafirmou a importância desse diálogo para a igreja. A partir disso, o Pontifício Conselho para a Cultura se inspirou para criar lugares de encontro e de diálogo, espaço de liberdade de expressão e respeito por aqueles que não acreditam e aqueles que fazem perguntas sobre sua fé.

Fazendo referência ao “Átrio dos Gentios” do templo de Jerusalém construído depois do exílio, durante os anos 20-19 ac, este projeto é um espaço onde todos podem atravessar sem distinção de cultura, língua ou vocação religiosa, e onde é possível se perguntar sobre as grandes questões da vida e da sociedade e, assim, chegar mais perto do ”Deus desconhecido”.

Dessa forma, o Átrio é uma janela para o mundo da cultura contemporânea que quer ouvir as vozes que ressoam em suas diferentes buscas e perspectivas.

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Frente aos desafios da contemporaneidade, em especial os fundamentalismos, as rupturas aos direitos humanos e ambientais e as reiteradas violências físicas e simbólicas aos indivíduos e às coletividades, somos chamados, urgentemente, à hospitalidade e à coexistência.

Num futuro próximo o planeta terá 8 bilhões de pessoas, habitando, em sua grande maioria, os centros urbanos. Seremos capazes de conviver levando em conta as diferenças étnicas, religiosas, políticas e econômicas? A resposta a esta questão não está na homogeneização, mas sim no estabelecimento de parâmetros éticos que apontem para novos modelos sociais e culturais fundados no encontro, no diálogo e na cooperação.

A hospitalidade, como aceitação desse “estrangeiro” que não fala a minha língua e a coexistência, como a possibilidade de sentarmos à mesa, em nossas singularidades, e partilhamos o pão e a vida, devem se caracterizar como prioridade para aqueles que rejeitam toda forma de preconceito e de intolerância.

 

Encontro entre Viviane Mosé e Marcial Maçaneiro

A PUCPR e a Católica de Santa Catarina trazem a Joinville uma filósofa e um teólogo para dialogarem sobre os desafios e as possibilidades de vivemos juntos!

Dia 11 de setembro de 2017, às 19h30 – Católica de Santa Catarina | Campus Joinville

 

Bate papo sobre o “viver juntos” –  Jovens debatem invisibilidades e vulnerabilidades humanas de nossas cidades

Paula Godoy e Ana Chen (ONG TETO), “Tio” Maurício (Pastoral do Menor, Belo Horizonte-MG) e Amanda Kissua (Angolana solicitante de refúgio)

Dia 12 de setembro de 2017, às 16h – PUCPR | Campus Curitiba | TUCA

 

Encontro entre Viviane Mosé, Nilton Bonder e Marcial Maçaneiro

Uma filósofa, um rabino e um sacerdote dialogam sobre os desafios e as possibilidades de vivermos juntos!

Dia 12 de setembro de 2017, às 19h30 – PUCPR | Campus Curitiba | TUCA

Assista aos vídeos e conheça um pouco mais do Átrio realizado na PUCPR nos dias 11, 12 e 13 de abril de 2016.

Abertura do Átrio dos Gentios e Celebração Eucarística 

1

 

Discurso de abertura | Cardeal Ravasi 

2

 

Debate entre o Cardeal Gianfranco Ravasi e o astrofísico Marcelo Gleiser

3

 

Concessão de Título de Doutor Honoris Causa ao Cardeal Ravasi

4

 

Encontro do Cardeal Ravasi com os jovens

5

Átrio dos Gentios

ÁTRIO DOS GENTIOS | “POR UMA CULTURA DA HOSPITALIDADE E DA COEXISTÊNCIA”

11 e 12 de setembro de 2017

 

JOINVILLE-SC

CURITIBA-PR

Bate papo sobre o Viver Juntos

Debate principal

 

ÁTRIO DOS GENTIOS | “DEUS, COSMOS, HUMANIDADE: UM DIÁLOGO DE FRONTEIRAS”

11 a 13 de abril de 2016

ABERTURA

 

MISSA

 

CRIACIONISMO E O EVOLUCIONISMO EM DEBATE | SESSÃO COMENTADA DO FILME SELEÇÃO NATURAL, TECNOLOGIA FULLDOME. ANÁLISE DO PROF. PE. MARCIAL MAÇANEIRO, SCJ.

 

A CIÊNCIA NO TRIBUNAL: ESTAMOS MAIS PERTOS DE DEUS? | ENCONTRO ENTRE ALEXANDRE ZABOT E MARCELO MIRA

 

À ESCUTA DO INFINITO: DEUS ENTRE A CIÊNCIA E A RELIGIÃO | ENCONTRO ENTRE O CARDEAL GIANFRANCO RAVASI E MARCELO GLAISER

 

OUTORGA DE TÍTULO HONORIS CAUSA AO CARDEAL GIANFRANCO RAVASI | CONFERÊNCIA PARA PROFESSORES DA PUCPR E CONVIDADOS

 

ENCONTRO DO CARDEAL RAVASSI COM OS JOVENS

 

TRANSCENDÊNCIA, TECNOLOGIA E NOVAS FRONTEIRAS DO CONHECIMENTO | ENCONTRO ENTRE LULI RADFAHER E ISABELA NORONHA | ABERTURA CARDEAL GIANFRANCO RAVASI

 

UTOPIA E TRANSCENDÊNCIA NA POESIA E NA LITERATURA BRASILEIRA | ENCONTRO ENTRE CRISTOVÃO TEZZA E MARCELO COELHO

 

DA FRANÇA AO BRASIL | A EDUCAÇÃO CATÓLICA EM PERSPECTIVA | ENCONTRO ENTRE ANDRÉ LANFREY E PERI MESQUIDA

 

ÁTRIO CULTURAL | SHOW COM TALENTOS DA PUCPR E FAMÍLIA LIMA

 

As juventudes querem saber: seu Cardeal, diz aí qual é?

Inspirados pelo propósito do Átrio dos Gentios, que busca o diálogo entre crentes e não crentes, este momento propõe uma conversa entre as diversas juventudes junto a Gianfranco Ravasi, cardeal católico italiano e presidente do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano. A proposta é que o momento seja informal, e que as perguntas lançadas reflitam a autenticidade das e dos jovens que não temem o confronto de ideias e enxergam na diversidade uma possibilidade de construção do conhecimento.

Conheça nossa universidade

Fundada em 1959, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná completa 57 anos em 2016. Em 1973, os Irmãos Maristas assumem a administração da Universidade e a partir desse momento, a instituição passou a incorporar os princípios e valores de seu fundador, são Marcelino Champagnat. Já em 1985, a sagrada congregação para a educação católica concedeu à Universidade o título de Pontifícia, reconhecendo o seu compromisso com a qualidade, com os valores cristãos e com solidariedade. Atualmente, a universidade conta com 4 campi: Curitiba, Londrina, Maringá e Toledo.

Apesar de jovem, a PUCPR é uma referência nacional e internacional.  Alguns números ajudam a entender a amplitude da universidade:

•             1.650 docentes

•             25.000 alunos de graduação, em 66 cursos

•             6.500 em cursos de especialização lato-sensu

•             1.200 estudantes em programas de pós-graduação strictu sensu

•             16 programas de mestrado

•             12 programas de doutorado

•             280 laboratórios de ensino e pesquisa

 

Deserto-60

 

No campo da evangelização e da solidariedade, a PUCPR é uma referência. Além do Instituto Ciência e Fé, que promove o diálogo entre ciência,cultura e fé, a Universidade conta em sua Diretoria de Identidade e Missão com:

•             Curso e Programa de Pós-graduação em Filosofia e Teologia

•             Disciplina do Eixo Humanístico (cultura religiosa, ética e filosofia), destinada a todos os alunos

•             Disciplina do Projeto Comunitário, 36 horas de formação em solidariedade destinada a todos os alunos

•             Núcleo de Pastoral, área que desenvolve ações de evangelização com os alunos

•             Programa sitemático de formação docente em identidade institucional

•             Paróquia Universitária

•             Programa Ciência e Transcendência: Educação, Profissionalização e Inserção Social

Gianfranco Ravasi encontra Marcelo Gleiser

Para explorar o tema “Deus, Cosmos, Humanidade: um diálogo de fronteiras”, ponto central do evento, debate entre o cardeal italiano Gianfranco Ravasi – presidente do Pontifício Conselho para a Cultura – e com o astrofísico Marcelo Gleiser.

 

 

Gianfranco Ravasiravasi

 

O italiano Gianfranco Ravasi é  presidente do Pontifício Conselho para a Cultura. Nascido em Merate em 18 de outubro de 1942, é considerado um especialista em Oriente Médio e islamismo. Atuou em escavações arqueológicas na Turquia, na Jordânia, na Síria e no Iraque enquanto trabalhava em seu doutorado no Pontifício Instituto Bíblico.  No dia 20 de outubro de 2010 foi anunciada a sua criação como cardeal pelo Para Bento XVI. Conhecido pelo diálogo com o mundo da arte, da ciência e da cultura, Ravasi costuma utilizar referências variadas em suas falas como Santo Agostinho, Isaac Newton, Vladimir Nabokov, entre outros.

 

 

Marcelo Gleiser

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O brasileiro Marcelo Gleiser é professor de filosofia natural, de física e de astronomia do Dartmouth College, EUA, onde leciona desde 1991. Graduou-se em física na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, obteve o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e o doutorado no King’s College da Universidade de Londres, Reino Unido. Realizou pesquisas de pós-doutorado no Fermilab e na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, ambos nos EUA. Publicou mais de 80 artigos científicos. É, membro da Sociedade de Física Americana e da Sociedade Internacional para o Estudo da Origem da Vida.

 

 

 

 

 O encontro acontece no dia 11 de abril, às 19h no teatro TUCA da PUCPR.

Informações sobre inscrição em breve.

 

Deus, cosmos, humanidade: um diálogo de fronteiras

Por Prof. Pe. Dr. Marcial Maçaneiro, scj

Consultor Teológico do Instituto Ciência e Fé

 

Numa perspectiva de diálogo de saberes, valorizando a honestidade intelectual de crentes e não-crentes, este encontro quer aproximar três temas fronteiriços – Deus, Cosmos, Humanidade – pontuando distinções e convergências, em colóquio aberto. Este diálogo exercita o conhecimento interdisciplinar e se faz propositivo para um projeto de cultura respeitoso da diversidade e da dignidade humanas, num contexto de revisão da relação do ser humano com a natureza. Em vista disto, são propostas aqui, a título de sugestão, algumas interrogações que podem referenciar o colóquio:

Deus

A questão de Deus, em sentido amplo, tem suscitado a reflexão não só teológica (desde a admissão de sua existência), mas filosófica e científica, desde séculos. Distinguem-se diferentes concepções da divindade, das expressões mais panteístas até o Deus pessoal da tradição abraâmica, representada pelo Judaísmo, Cristianismo e Islã. Abrem-se muitas interrogações sobre os modos de ser de Deus, sua ação no Cosmos e sua relação com a humanidade. Em sentido estrito, o Deus da Aliança proclamado por Jesus de Nazaré tem provocado muitas leituras e releituras das fontes clássicas do Judaísmo e do Cristianismo, como vemos na produção cultural do Ocidente. A própria comunidade crente, aplicando métodos histórico-críticos aos textos sacros e à revisão histórica, distingue o ser e o agir de Deus das expressões (cultuais, morais e conceituais) daqueles que O professam. Se de um lado o comportamento religioso tem resvalado em formas várias de particularismo e violência, por outro lado, o Deus da Aliança – reconhecido e proposto como Pai Misericordioso por Jesus – afirma-se como amor radical, a quem importam o mundo e os humanos. Os eventos dramáticos do êxodo, da aliança, da reivindicação da justiça e do zelo pelos pobres, órfãos e viúvas são retomados no Novo Testamento, compondo o patrimônio ético e social do pensamento cristão: voltar a tais fontes é criticar, desde dentro, a própria religião cristã, num esforço de fidelidade aos elementos originários do amor, da justiça e da paz propostos no Evangelho. Por tal viés aproximam-se crentes e não-crentes decididos a construir uma sociedade justa, inclusiva e solidária. Em campo ético e humanitário se encontram quem crê e quem não crê, na promoção conjunta da justiça, da paz e do cuidado ambiental. Isto, porém, não resolve o debate em nível de princípios (filosóficos ou ontológicos) sobre a existência de Deus e sua relevância para o cosmos e a humanidade. Seria Deus um mistério apenas vislumbrado pelas tradições religiosas, de fato existente, mas impossível de apreensão pela razão humana? Seria Deus um corolário ideal da própria evolução humana, que se projeta na livre e infinita divindade? Há quem reivindique um Deus liberto das linguagens e noções que o tentam expressar, afirmando-o como Mistério. O próprio cosmos seria um dizer-se dele, uma narrativa de seu ser inaferrável. Outros entendem que tanto ciência quanto religião seriam vias para acessá-Lo, cada qual com sua episteme. Isto tem suscitado diferentes reações, muitas vezes num quadro extremo, que vai do desprezo mútuo entre ciência e religião, até os ensaios de diálogo e colaboração entre as mesmas. Em muitos casos, cientistas se declaram crentes; enquanto crentes reconhecem a autonomia das realidades terrenas como a ciência, o direito e a arte. Neste caso, uns e outros opinam ser possível o diálogo e o compromisso conjunto da ciência e da religião pelo bem comum e a promoção da vida.

Possíveis questões na perspectiva da Fé, em face da Ciência:
a) O pensamento científico favoreceria a autocrítica da religião? Em que âmbitos da religião isto tem se dado?
b) Haveria inspiração científica em alguns modelos e/ou escolas de pensamento teológico? Quais, por exemplo?
c) A fé no Deus da Revelação/Criação pode favorecer a investigação científica? Como?
d) Em que sentido o Deus-Pai revelado por Jesus favorece a afirmação da dignidade humana e a inclusão social?
e) Que aspectos da noção de Reino de Deus serviriam a um projeto de nova humanidade? Neste sentido, se poderia estabelecer parceria com a Ciência em algum desses aspectos?
f) Para o cristianismo, a fé explícita em Deus é necessária à ética? Ou se admitem outras compreensões neste sentido?

Possíveis questões na perspectiva da Ciência, em face da Fé:
a) A fé em Deus, de algum modo, pode favorecer a autocrítica da Ciência? Em que modos ou aspectos?
b) Alguns cientistas se declaram crentes e estabelecem contato entre Ciência e Fé. Você conhece algum exemplo digno de nota?
c) A cosmologia (ao lado da física e da biologia) descarta categoricamente a possibilidade da existência de Deus? Em que medida esta possibilidade é determinante ou não para o método científico?
d) Que noções a respeito de Deus parecem questionáveis ou mesmo perigosas, aos olhos da Ciência?
e) O que a Ciência poderia considerar “sagrado” em nível de princípios, meios e fins?
f) Se não há uma palavra de Deus a respeito da humanidade, quais seriam as fontes éticas da Ciência?

2. Cosmos

O Cosmos, em toda a sua complexidade, é um dado evidente, ainda que não inteiramente compreendido pela razão humana. Mesmo despido de ideologias e tematizações razoáveis, ele se mostra duradouro, imenso, dinâmico e envolvente. Encanta a crentes e não-crentes, em quem desperta admiração, temor e curiosidade, ora como mistério inatingível, ora como terreno a explorar. De modo semelhante, cientistas e teólogos reconhecem o quanto cosmos e humanidade se imbricam, mesmo nos níveis básicos da biologia e da corporeidade. A clássica interação entre microcosmos (humanidade) e macrocosmo (universo) reaparece em nuances novas, quando se fala de holística, epistemologia complexa e ecologia integral. De um lado, cientistas admitem o incógnito como possibilidade de novas descobertas; de outro, teólogos se aproximam de categorias cosmológicas para interpretar as narrativas bíblicas da Criação, repletas de símbolos e emblemas. Além da factualidade do universo em expansão, crentes e não-crentes indagam sobre seu sentido e seu propósito: duração da existência no espaço e no tempo, porque a vida é um fato e quer perdurar; manifestação de beleza que circunda o pequenino ser humano; horizonte de transcendência que aponta continuamente para o futuro; jogo complexo do tempo e do espaço, atravessado por invisíveis ondas… A reflexão de Galileu a Einstein ecoam nos ensaios de Teilhard de Chardin e de Alfred N. Whitehead. Muitos opinam que não será necessário abandonar a ciência para encartar-se com o mistério do cosmos; também não será necessário abandonar a fé para mergulhar na investigação astronômica. Uns e outros avançam em indagações e rascunhos de respostas, das teorias mais sólidas às teses ainda em construção (como a teoria das cordas, a proposta da matéria escura e a busca pelo bóson). Em atenção à Terra – casa de todos – essas teorias são urgidas pela crise ecológica que mata as espécies, fere o presente e destrói o futuro. Crentes e não-crentes se sentem premidos pela extinção das espécies, escassez de água potável, mudança climática, crise energética e ambiental. Do lado da ciência e da fé, vozes se elevam, se cruzam e se conectam para alertar, reciclar, educar, preservar, conservar e prospectar soluções ecológicas. Cientistas se aproximam da religião para ler seus desenhos de mundo e seus antigos saberes naturais; teólogos se iniciam em cosmologia, física, biologia e mecânica para amadurecer sua percepção e sua linguagem, na busca do sentido profundo dos textos sacros sobre a Criação. Uns e outros são guiados por honestidade intelectual, amor à vida, disposição em servir à humanidade e apelo moral em defender o planeta com seu conhecimento.

Possíveis questões na perspectiva da Fé, em face da Ciência:
a) Quais as novas compreensões da Criação do mundo por parte de Deus, à luz da hermenêutica bíblica, em condições de dialogar com a Ciência?
b) De que modo as teorias do Big-Bang e da Evolução promovem a revisão e/ou aprofundamento da teologia da Criação?
c) A afirmação do Deus Criador não arrisca diminuir a autonomia humana na Terra?
d) Que elementos da Teologia da Criação convergem no cuidado ecológico valorizado pelas Ciências?
e) Em que aspectos a visão cristã da Criação pode colaborar com as Ciências na promoção da vida humana e planetária?
f) Que compreensões científicas a religião (no caso, cristã) opina que deveriam ser superadas, em benefício da humanidade e talvez da própria Ciência?

Possíveis questões na perspectiva da Ciência, em face da Fé:
a) Como a Ciência argumenta a necessidade ou a não-necessidade de um Deus Criador para o Cosmos?
b) De que modo a noção de um Criador interage com a Ciência moderna: excluem-se, complementam-se ou seriam epistemologias incomunicáveis?
c) Mesmo sem professar um Criador, a Ciência admite alguma dimensão transcendente no Cosmos? Em que sentido?
d) Quais as indagações do cientista (físico ou cosmólogo) que podem apontar, eventualmente, à religião?
e) Para a Ciência, o Cosmos pode ser lido como uma narrativa de sentido? Há indícios de um propósito no devir cósmico? Ou tudo se reduz a um golpe de sorte?
f) Que compreensões religiosas a Ciência opina que deveriam ser superadas, em benefício da humanidade e talvez da própria religião?

3. Humanidade

Sem desprezar a Deus, sumo e máximo Ser de adoração, a religião se preocupa com a humanidade: olha para o céu, para bem caminhar na terra; contempla as estrelas para navegar com segurança; segue o curso da lua para plantar e colher com gratidão. Sim, é do cenário da natureza que desponta o sagrado, como lampejo do Deus Escondido em todas as coisas. A noção judaica da pessoa humana como imagem e semelhança de Deus não esconde alguma pretensão desmedida (como se poderia pensar), mas é afirmação da dignidade própria do ser humano, conecto mas distinto dos demais seres. No centro desta ciranda de astros e estações está o ser humano, inteiro, ao mesmo tempo filho da terra e filho do céu. De modo semelhante, a mais alta teoria ou abstração conceitual da ciência se vê interpelada pelas urgências humanas: saúde, alimentação, ocupação do espaço, segurança, desenvolvimento. Deste modo, nem a religião nem a ciência pretendem-se progredir desvinculadas do ser humano, tanto individual quanto socialmente admitido. Uma e outra convergem na afirmação da vida humana, na busca de soluções, no compromisso com a justiça e o acesso aos bens. A diversidade de cosmovisões, de valorações morais e de perspectivas históricas verificadas na ciência e na religião (especialmente desde a Primeira Modernidade) pode causar polêmicas e disputas, mas é também oportunidade de se descobrir novas aproximações e convergências no serviço à vida humana. Neste sentido, perduram os desafios da saúde, da nutrição, do desenvolvimento das infâncias, da qualidade de vida em geral, ao lado de novas necessidades emergentes, sobretudo em campo social e ecológico. Como muitos têm advertido, tanto ciência quanto religião podem contribuir ao desenvolvimento integral do ser humano, enredado numa teia de relações com seus pares e as demais espécies. Na opção pelo humano convergem cientistas e teólogos, crentes e não-crentes.

Possíveis questões na perspectiva da Fé, em face da Ciência:

a) Que valores a antropologia da “imago Dei” reserva para os tempos atuais?
b) Como o cristianismo concebe o desenvolvimento integral do ser humano em sociedade?
c) Como a fé cristã colabora à uma relação humanidade/Natureza que supere o antropocentrismo radical e favoreça o cuidado ecológico?
d) O cristianismo pode ser compreendido como um “projeto de humanidade”? Neste sentido, como estabeleceria colaboração com a Ciência?
e) Quais as exigências do bem comum, apontadas pela fé, para uma sociedade mais justa atualmente?
f) Para a fé cristã, o ser humano constitui o fim [propósito] da Ciência? Em que sentido isto indica parâmetros à pesquisa e tecnologia?

Possíveis questões na perspectiva da Ciência, em face da Fé:
a) Que valores humanos a Ciência pode reconhecer no cristianismo, ou na religião em geral?
b) Quais os riscos (históricos, ideológicos ou políticos) que a religião pode oferecer à humanidade?
c) Em vista do cuidado ecológico, que agenda a Ciência poderia assumir em parceria com a religião?
d) Quais as fontes e/ou referências éticas para a Ciência? Neste sentido, haveria convergências com a religião (ou o cristianismo, em particular)?
e) Em termos de bem comum, que urgências a Ciência apontaria hoje? Neste sentido, que agendas se poderia assumir em parceria com a religião?
f) Como a Ciência pondera o papel educativo da religião na sociedade atual?

Relatório Anual de Atividades 2015

Os desafios de um Instituto Ciência e Fé são imensos. Diante dos crescentes exemplos de intolerâncias, fundamentalismos e violências, físicas ou simbólicas, que se multiplicam por todas as partes, concentramos nossos esforços, ainda que localizados no tempo e no espaço, na proposição de processos sociais, culturais e religiosos transformadores. De todos os conteúdos e projetos gerados, das diferentes e profundas provocações nascidas dos debates, do olhar mais atento sobre e com as juventudes e dos saberes constituídos pelos grupos de estudos e pesquisa, um aspecto merece destaque em 2015: estamos aprendendo e nos encorajando a “tomar posição”, ou seja, aos poucos deixamos mais claro nosso conjunto de crenças, ora mais teóricas, ora mais práticas. E isso faz com cada projeto desenvolvido, cada conteúdo produzido e cada grupo constituído adquira  algo fundamental: “intencionalidade”. E isso, vocês poderão conferir nas páginas desse relatório.

 

Conteúdo |Fabiano Incerti e Jean Michel Silva

Projeto gráfi„co e diagramação | Nina Zambiassi

Revisão | Juliana Satie Oshima

Analista de Projetos | Cassio Henrique Sniecikoski

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Caderno Ciência e Fé | Descobrindo o Ir. Francisco Rivat. Vida, espiritualidade e governo.

Irmão Francisco Rivat é discípulo das primeiras horas, dos tempos de La Valla. Tinha não mais que 11 anos quando aceitou a proposta de Champagnat para formar parte de seu incipiente projeto do Instituto. Cresceu ao lado do fundador, acompanhando de perto seus passos, e se tornou seu primeiro sucessor, levando a Congregação a uma impressionante expansão. Após renunciar ao cargo de Superior Geral, passou os últimos anos em L’Hermitage, que considerava o relicário de Champagnat. Mais tarde, seu processo de beatificação foi encaminhado e a Igreja reconheceu-lhe a heroicidade das virtudes. Nesse sentido, esta publicação cumpre em parte o objetivo de tornar o Irmão Francisco Rivat mais conhecido na riqueza de sua história e na profundidade de seus escritos.

 

Publicação: Instituto Ciência e Fé da PUCPR e Grupo Marista

Editora: Universitária Champagnat

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Mídia e Redução da Maioridade Penal | Seminário de Iniciação Científica da PUCPR (SEMIC 2015)

De 05 a 08 de Outubro, ocorreu a mesa redonda “Mídia e Redução da Maioridade Penal”, durante o XXIII SEMIC na PUCPR. O debate contou com as presenças dos jornalistas Leandro Fortes, Natasha Cruz e Vivian Lemos e foi coordenado por Fabiano Incerti, Diretor do Instituto Ciência e Fé da PUCPR. Durante a conversa, foi debatido o papel da mídia na temática da redução da maioridade penal. A conversa foi acompanhada por estudantes que estavam participando do SEMIC, alunos de graduação e interessados no tema.

A cobertura do bate-papo foi feita pelo pessoal do Coletivo Parafuso Educomunicação e você pode conferir as entrevistas que eles fizeram com os jornalistas nos links abaixo:

 

VIVIAN CORRETO

 

 

 

Leandro CORRETO

 

 

 

 

natasha CORRETO

Para Unicef, redução da maioridade penal põe ECA em risco

Publicado originalmente pelo Jornal do Brasil, no dia 10/07.

O coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mário Volpi, afirma que todas as mudanças feitas até hoje no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90) foram para “garantir que os princípios pudessem responder à realidade”. Mas ele acredita que agora a legislação está em risco, por conta da aprovação da mudança na Constituição para reduzir a maioridade penal.

A proposta aprovada na Câmara dos Deputados (PEC 171/93), em primeiro turno, reduz a maioridade de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos, homicídio doloso (com a intenção de matar) e lesão corporal seguida de morte. Os deputados precisam ainda analisar a matéria em segundo turno, o que deve ocorrer só em agosto. Se aprovada novamente, o texto seguirá para o Senado.

“É um grande retrocesso [a redução], porque não há nenhuma evidência de que uma medida dessa natureza poderia contribuir com a melhoria da situação das crianças e dos adolescentes e com a redução da violência; poderia inclusive agravá-la”, aponta Volpi. Para ele, o País precisa investir em políticas públicas para os jovens. “O grande desafio é ampliar as oportunidades para os adolescentes”, salienta.

Também contrária à redução da maioridade penal, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), que foi relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou na legislatura passada a exploração de crianças e adolescentes, explica que, até agora, todas as mudanças ocorridas no ECA foram para aumentar direitos, e não para reduzi-los. Entre elas, estão a lei que proíbe pais de aplicar castigo físico ou tratamento cruel e degradante para educar os filhos (13.010/1414) e a que tornou crime vender e servir bebida alcoólica a menores de 18 anos (13.106/15).

“Também foram aprovadas a Lei da Adoção [12.010/09], que colocou no estatuto capítulo sobre a responsabilidade do Judiciário e do Ministério Público para não deixar a criança abandonada em abrigos, e a tipificação do crime de estupro de vulnerável [Lei 9.975/00]”, acrescenta.

População defende redução

Diversos deputados, entretanto, favoráveis à redução da maioridade penal, consideram o ECA brando e argumentam que a aprovação da Câmara reflete o anseio da população. Pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 22 revela que 87% dos entrevistados apoiam a diminuição da maioridade para 16 anos. Foram ouvidas 2.840 pessoas em 174 municípios do País.

Um dos autores da emenda aprovada pelo Plenário, o deputado Andre Moura (PSC-SE) destaca a necessidade de coibir a participação de jovens em crimes. “Em momento algum afirmamos que vamos resolver o problema da segurança do País, mas vamos dar limites para esses marginais disfarçados de menores”, diz.

Garantia de direitos

Com relação ao ECA, a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), por sua vez, ressalta que é preciso tirar do papel o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), criado pela Lei 12.594/12, que também modificou o ECA. O Sinase regulamenta a execução das medidas destinadas ao adolescente infrator.

Ela aponta que a punição e a ressocialização são apenas uma parte da questão: “É preciso trabalhar a redução da miséria e do analfabetismo, a inserção dessas crianças em situação de risco no espaço escolar”. Dorinha defende uma articulação maior entre os ministérios da Educação e da Saúde para a garantia dos direitos.

Conselhos tutelares

Para a consultora da área de direitos humanos da Câmara Debora Azevedo, um dos grandes avanços promovidos pelo ECA foi a exigência de criação, pelos municípios, dos conselhos tutelares para zelar pelos direitos de crianças e adolescentes. Em 25 anos, foram estabelecidos no País mais de 5,7 mil desses institutos, embora ainda haja 44 municípios que não criaram o órgão. Formados por membros eleitos pela comunidade, os conselhos devem ser acionados sempre que se perceba abuso ou situações de risco contra menores de 18 anos.

“A gente sente que já está sendo incorporado pelas famílias e pela comunidade a ideia de que, se há algum problema referente à criança e ao adolescente, eles têm de procurar o conselho”, aponta a consultora. Segundo ela, um dos obstáculos enfrentados pelas entidades é a falta de verba para o funcionamento. Muitos conselhos são criados, porém não têm equipamentos mínimos, como mesas e cadeiras, telefones e computadores.

 

Reduzir maioridade penal pode agravar a violência

Publicado originalmente pela revista Carta Capital, 23 de junho de 2015.

Vinte e cinco anos após a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, uma comissão especial da Câmara dos Deputados deu aval à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes violentos. A aprovação da emenda à Constituição foi na última quarta-feira 17, em uma sessão fechada ao público – para escapar de protestos. Padrinho do projeto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, promete submeter o tema a votação em 30 de junho.

Pela proposta, adolescentes com 16 anos ou mais podem ser punidos como adultos por crimes hediondos, estupro e latrocínio incluídos, ou equiparados, a exemplo do tráfico de drogas e da tortura. Também podem ser encarcerados em penitenciárias comuns por lesão corporal grave, homicídio doloso e roubo qualificado, quando há uso de arma, participação de duas ou mais pessoas ou restrição da liberdade da vítima, por exemplo. Antes de seguir para o Senado, o projeto precisa do apoio de 60% dos deputados, em dois turnos de votação.

Em diversas ocasiões, o Unicef e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime manifestaram oposição à redução da maioridade. “Não faz sentido jogar os 20 mil jovens que hoje cumprem medidas socioeducativas com restrição de liberdade nos presídios convencionais, controlados por organizações criminosas. Ao sair desse sistema, teríamos jovens ainda mais violentos e, possivelmente, associados a alguma facção”, afirma Casimira Benge, coordenadora do programa de proteção à criança do Unicef no Brasil.

Leia a a seguir a entrevista de Casimira a CartaCapital.

CartaCapital: Faz sentido atribuir a escalada da violência no Brasil aos adolescentes?

Casimira Benge: Na verdade os adolescentes são muito mais vítimas de violência do que autores. Dos 21 milhões de brasileiros entre 12 e 18 anos incompletos, apenas 0,013% cometeram crimes contra a vida. Mas a cada hora um adolescente é assassinado. Neste quesito, o Brasil só perde para a Nigéria. O Unicef monitora a situação com o Índice de Homicídios na Adolescência. Em 2005, fizemos uma projeção de que 35 mil adolescentes seriam assassinados entre 2006 e 2012. Infelizmente, o tempo mostrou que o diagnóstico estava bem próximo da realidade: 33,6 mil pessoas dessa faixa etária morreram no período. Agora, a previsão é ainda mais sombria. Se as condições atuais prevalecerem, 42 mil jovens serão mortos de 2013 a 2019 antes de completar a idade adulta.

CC: Por que o Unicef se opõe à redução da maioridade penal?

CB: Reduzir a maioridade não é uma solução. Ao contrário, pode agravar a violência. Passaríamos a considerar como adultos todos os jovens com 16 anos ou mais. Ou seja, o processo para a responsabilização, a natureza da punição a ser aplicada e o lugar para o cumprimento da medida serão iguais aos de um adulto. Não faz sentido jogar os 20 mil jovens que hoje cumprem medidas socioeducativas com restrição de liberdade nos presídios convencionais, controlados por organizações criminosas. Ao sair desse sistema, teríamos jovens ainda mais violentos e, possivelmente, associados a alguma facção. Em vez de remediar o problema, corremos o sério risco de agravá-lo. Além disso, não podemos perder de vista que, dentro das prisões, esses adolescentes podem sofrer graves violações. Há até um problema logístico. Os presídios já sofrem com falta de vagas. Sem falar dos reflexos da maioridade para um conjunto de outros direitos.

CC: Como assim?

CB: O Brasil é um dos recordistas mundiais em mortes no trânsito. Pela atual legislação, a permissão para conduzir um automóvel só pode ser concedida a quem tem mais de 18 anos, pois o motorista tem de ser imputável, caso venha a cometer algum crime na direção do veículo. Se a maioridade for reduzida, os adolescentes com mais de 16 anos poderão conquistar o direito de dirigir. E sabemos que o número de acidentes é muito maior entre os motoristas mais jovens. Pior: eles podem ter acesso a bebidas alcoolicas e cigarro. Em decorrência disso, é possível até haver um aumento dos casos de crimes sexuais.

CC: Qual é a tendência mundial em relação a este tema?

CB: Os países são livres para adotar seus próprios critérios. A maioria das nações estabelece como idade mínima para a responsabilização os 12 anos de idade, mas a maioridade penal completa, o momento em que o cidadão passa a ser punido como um adulto, é quase sempre aos 18 anos. São raras as exceções, a exemplo dos EUA, onde cada estado tem autonomia para definir a regra, mas normalmente a maioridade começa antes dos 18. Mas vale lembrar que os americanos começam a reavaliar essa postura, pois diversos estudos indicam que o encarceramento precoce não garante a redução da violência. Em vários países, como Colômbia, Espanha, Uruguai, Chile, houve grandes debates sobre a redução da maioridade, mas nenhum deles baixou de fato. Em vez disso, criaram regimes especiais para adolescentes com idade entre 16 e 18 anos, numa linha semelhante do que o Executivo brasileiro propõe agora.

CC: A senhora considera uma alternativa razoável a proposta de aumentar o tempo de internação dos adolescentes infratores?

CB: Acho razoável aumentar o tempo de internação de quem pratica crimes mais graves, como homicídio, latrocínio, estupro e sequestro. Desde que isso ocorra em um regime diferenciado dos adultos. Somos contra a redução da maioridade, mas reconhecemos que o Brasil precisa dar uma resposta à violência, inclusive aquela praticada por adolescentes. É possível responsabilizar com mais rigor os infratores sem necessariamente tratá-los como adultos, que tem outro grau de maturidade e capacidade de discernimento. Isso pressupõe respeitar a justiça especializada e a proporcionalidade dos crimes.

CC: Dados do Ministério da Justiça revelam que 60% dos adolescentes internados para cumprir medidas socioeducativas são negros, 51% não frequentava a escola, 49% não trabalhavam e 66% vinham de famílias extremamente pobres.

CB: Exatamente. É preciso ter cuidado para não criminalizar a pobreza. Nem todos que vivem em situação de vulnerabilidade social praticam crimes. Mas muitas vezes adolescentes pobres, que vivem nas periferias, sem perspectiva de futuro, são seduzidos pelo tráfico e acabam presos com pequenas quantidades de droga. É até complicado separar o usuário do traficante. Normalmente, se esse adolescente é pobre, vai preso. Se é rico ou tem emprego fixo, é considerado um usuário. Muitos desses adolescentes pobres nem sequer têm uma assessoria técnica adequada durante o processo. As defensorias públicas não conseguem atender toda a demanda. Mas precisamos admitir que o Estatuto da Criança e do Adolescente é muito brando em alguns casos, assim como tem um rigor excessivo em outros. Um pequeno traficante corre o risco de ficar internado por três anos, a mesma punição máxima de quem mata.

CC: Isso seria capaz de reduzir os índices de violência?

CB: Não adianta mudar a legislação sem um conjunto de políticas públicas para a juventude, como acesso à educação, à saúde, à cidadania. Se isso não for garantido aos adolescentes, nenhum projeto punitivo será capaz de resolver o problema da violência. É triste ver essa proposta de redução da maioridade emergir 25 anos após aprovação do ECA pela Câmara. A mesma Casa que aprovou uma avançada legislação especializada, considerando as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, influenciando outros países, agora pode promover um grande retrocesso.

 

PUC-PR reforça coro contra redução da maioridade

Publicado por Folha de Londrina, 13 de junho de 2015.

Curitiba – Em meio às acaloradas discussões travadas na Câmara dos Deputados acerca da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/1993, que diminui a idade penal de 18 para 16 anos, entidades da sociedade civil também têm tornado público seus posicionamentos sobre o tema. Uma das maiores instituições do País, com mais de 14 mil colaboradores e 27 mil alunos em sua rede de colégios, o Grupo Marista reforçou, na última semana, o coro em defesa do cumprimento, e não da modificação, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Para firmar essa posição, o Observatório das Juventudes da PUCPR, pertencente o conglomerado, lançou o caderno “Redução da Maioridade Penal: por que somos contra!”. Um comitê interno também foi montado, em caráter de urgência, com o objetivo de acompanhar o debate em Brasília.

O material traz reflexões de pensadores das áreas da educação, artes, direito e psicologia, como o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella, o religioso Frei Betto e o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, além de acadêmicos da PUCPR. O argumento destacado por eles é o mesmo de entidades como a Fundação Abrinq e a própria Organização das Nações Unidas (ONU): jovens são mais vítimas do que autores de violência no Brasil. A premissa é baseada, ainda, em dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), segundo os quais, dos 21 milhões de meninos e meninas brasileiros, apenas 0,013% teria cometido atos contra a vida.

De acordo com o organizador da publicação e coordenador do observatório, Jean Michel Silva, a ideia é tomar uma postura mais propositiva, no sentido de buscar soluções aos problemas relacionados à violência. “Fizemos um debate dentro da própria universidade. O mote da campanha de comunicação é: ‘mais educação, mais direitos’. Acreditamos que deva haver um investimento maior em políticas públicas”, defende. Ele cita o fato de o ECA já prever a responsabilização a partir de 12 anos, em unidades especializadas, e a questão do sistema prisional, que não estaria cumprindo sua função de reinserção social, como motivos para se derrubar a PEC. O caderno está disponível para download no link http://cienciaefe.pucpr.br/publicacoes.

Grupo Marista contra a Redução da Maioridade Penal

Confira abaixo o vídeo institucional do Grupo Marista que explicita os motivos contrários à redução da maioridade penal.

Convidamos você a compartilhar com sua rede de contatos e fomentar o diálogo sobre o tema.

 

Católicos, evangélicos, juristas e ativistas sociais juntos contra a redução da maioridade penal

Publicado originalmente na Carta Capital, em 30 de março 2015.

Diferente do que dizem os deputados que defendem a aprovação da PEC 171/93, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, a sociedade brasileira, por meio de importantes e representativas instituições, tem manifestado completa discordância e repulsa à possibilidade de alteração da lei.

Há sim, e é preciso reconhecer, um majoritário e superficial posicionamento sobre o tema, muito mais fruto da campanha massiva promovida pelos grandes meios de comunicação, que estimula o sentimento de medo e vingança em relação aos adolescentes em conflito com a lei, do que propriamente uma opinião coletiva e qualificada sobre o assunto.

Reduzir a maioridade penal ou aumentar o tempo de internação de adolescentes – propostas que hoje estão na ordem do dia no Congresso Nacional – não resolve o problema da segurança pública no Brasil. Cabe às organizações sociais e à imprensa séria e comprometida qualificar e oferecer à sociedade informações e dados da realidade para que as pessoas possam se posicionar e cobrar do Estado políticas que combatam a causa dos problemas e não apenas seus efeitos.

Aqui está: Tanto a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), principal organização representativa da Igreja Católica no Brasil, quanto duas importantes organizações representativas das Igrejas Evangélicas brasileiras, os Evangélicos pela Justiça e a Rede Evangélica Nacional de Ação Social – RENAS, se posicionaram contra a tentativa da redução da maioridade penal.

Além destas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Federal de Psicologia – CFP, o Conselho Federal de Serviço Social – CFESS, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – PFDC/MPF, a Associação dos Juízes pela Democracia – AJD, a Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP, entre outras diversas organizações, manifestaram sua preocupação e repúdio à tentativa de redução da maioridade penal.

Diante do risco iminente do que pode ser um retrocesso histórico para a pauta dos Direitos Humanos no Brasil, reafirmo um singelo e humilde pedido: se você está realmente preocupado com o país; se você é verdadeiramente bem intencionado e se preocupa com o problema da violência e da chamada “criminalidade”, estude, leia, pesquise e ao menos tenha a curiosidade de saber porque organizações tão sérias, importantes e representativas são contra redução da maioridade penal. Você vai se surpreender.

Ipea chama atenção para ‘mito’ da impunidade de adolescentes

A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual, 16-06-2015.

São Paulo – Pesquisa apresentada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a aplicação de medidas socioeducativas a adolescentes no Brasil é muito mais rigorosa do que a gravidade do ato infracional cometido exigiria. Dos 15 mil jovens cumprindo medida de internação em 2013, os que tinham cometidos atos graves – realmente passíveis de restrição de liberdade – eram 3,2 mil (21,3%). Os delitos graves, como homicídio, correspondiam a 8,75%; latrocínio, 1,9%; lesão corporal, 0,9%, e estupro, 1,1% do total de atos infracionais cometidos.

“Para o Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas de internação devem respeitar os princípios da brevidade e da excepcionalidade. Quando olhamos esses dados, observamos que os princípios não são seguidos, se fossem cumpridos, os adolescentes internos seriam aqueles que cometeram infrações graves como homicídios, estupros e latrocínios, apenas 3,2 mil do total, e não 15 mil, como encontramos”, explicou a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Enid Rocha.

O objetivo da pesquisa foi expor a falsidade da afirmação de que os jovens que cometem atos infracionais ficam impunes, e com isso contribuir com as discussões que ocorrem em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, de 1993, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

“O Brasil é uma país que encarcera muito, temos a quarta população carcerária do mundo e o número de presos cresceu 77% desde 2005. Esse dado desconstrói os mitos de que o encarceramento vai resolver o problema da violência. Quando internamos o adolescente, misturamos jovens com diferentes níveis de envolvimento com o crime. Vamos resolver a violência com prevenção, expansão de direitos e inclusão dos adolescentes em políticas públicas”, defendeu o secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina.

Ao contrário do que é defendido pelos que apoiam a redução da idade penal, os atos infracionais mais praticados pelos adolescentes não são contra a vida. Nos últimos três anos, o roubo, o furto e o envolvimento com o tráfico de drogas é que vêm crescendo. Em 2013, cerca de 40% dos jovens respondiam pela infração de roubo, 3,4% por furto e 23,5% por tráfico.

Ainda segundo a pesquisa, 95% dos adolescentes apreendidos eram do sexo masculino e 60% deles tinham idade entre 16 e 18 anos. Pouco mais de 60% desses eram negros e 66% viviam em famílias consideradas extremamente pobres.

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Atos infracionais mais praticados pelos adolescentes não são contra a vida

 

Caderno de Entrevistas Redução da Maioridade Penal | Observatório das Juventudes PUCPR

Com este Caderno, que conta com uma série de entrevistas e depoimentos de pensadores, artistas e dos próprios jovens de dentro e de fora da PUCPR, o Observatório das Juventudes pretende dar sentido à sua posição, trazendo à luz uma série argumentos e reflexões que, em geral, por motivos diversos, não ganham a devida atenção nas manchetes diárias dos grandes veículos de comunicação nacional.

Ao mesmo tempo, com respeito às opiniões pessoais, estas páginas esperam gerar em diferentes espaços da Universidade — na sala de aula, no intervalo dos professores, nas praças de alimentação etc. — o urgente debate sobre a responsabilidade que todos, com maior ou menor intensidade, têm no desenvolvimento pleno de cada adolescente e jovem.

Publicação: Instituto Ciência e Fé da PUCPR | Observatório das Juventudes da PUCPR

Editora: Universitária Champagnat

 

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Caderno Café Filosófico | A Reinvenção da Virtude

Este precioso volume do Caderno Ciência e Fé é o resultado dos debates do Café Filosófico. Os dois primeiros textos são “preparatórios” e assinados pelos curadores do projeto: Fabiano Incerti e Jelson Oliveira. O primeiro é um breve ensaio sobre a criativa relação entre café e filosofia. O segundo, por sua vez, é um cuidadoso trabalho sobre a relevância do tema discutido no ano, seus desdobramentos e suas perspectivas. Seguem-se, então, as conferências e os debates realizados pelos convidados. O que dizer sobre eles? São textos potentes filosoficamente; grandiosos, como seus autores, na inquietação sobre nosso presente e nosso futuro. No dia 13 de março, o projeto recebeu a educadora Viviane Mosé, que levou os presentes a refletirem sobre A felicidade na sociedade da informação e do conhecimento. O dia 22 de maio foi dedicado ao jornalista EugênioBucci, com A intolerância ou a tragédia do não diálogo.  E no dia 18 de setembro, o filósofo Renato Janine Ribeiro debateu sobre o tema Democracia versus República: inclusão e desejo nas lutas sociais.

Publicação: Instituto Ciência e Fé da PUCPR
Editora: Universitária Champagnat

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Instituto Ciência e Fé da PUCPR inicia planejamento do novo Observatório das Juventudes

Aconteceu no dia 30 de janeiro a primeira reunião do grupo consultivo para orientar e reestruturar os novos projetos do Observatório das Juventudes da Universidade. O primeiro encontro de 2015 teve como intuito realizar um balanço das atividades desenvolvidas até o momento, dialogar sobre as melhores práticas nacionais e internacionais relativas a garantia e defesa dos direitos dos jovens e propor novas linhas de atuação para o Observatório.

Com o início das atividades em 2013, o Observatório tem buscado compreender a condição juvenil na atualidade, e está inserido no contexto das políticas de ações afirmativas em torno da temática relativa à juventude.

De acordo com Jean Michel Silva, que assumiu a coordenação do Observatório em 2015, o tema juventude é muito atual e nos convida a uma reflexão-ação contínua. “Precisamos compreender as diversas realidades juvenis. Nos aprofundarmos, cada dia mais, na complexidade da temática para que possamos pesquisar, compreender e incidir sobre a realidade dos jovens. Dando continuidade a missão de São Marcelino Champagnat, fundador do Instituto Marista, precisamos desenvolver através da educação todas as dimensões do ser humano, para que esse jovem se empodere e seja agente transformador de sua realidade.”

Participaram da reunião: Fabiano Incerti, Diretor do Instituto Ciência e Fé, Jimena Djauara, da Rede Marista de Solidariedade, Bárbara Pimpão e Douglas Moreira, do Centro Marista de Defesa da Infância, os professores Clelia Peretti, Cezar Bueno e Rodrigo Alvarenga, do Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR, Diogo Galline, da Pastoral do Grupo Marista, Kleber Candiotto, Decano da Escola de Educação e Humanidades, Fábio Viviurka, da Diretoria de Marketing e Comunicação do Grupo Marista, Gláucio Mota, da Diretoria de Assistência Social do Grupo Marista, Professor Másimo Della Justina, chefe de gabinete da PUCPR e Felipe Aguilera, da Assessoria Especial da Juventude do Governo do Paraná.

 

Reunião do Observatório
Reunião de Planejamento do Observatório das Juventudes

 

 

Relatório Anual de Atividades 2014

Em 2014, – já passados dois anos da retomada das atividades – o Instituto Ciência e Fé (ICF) teve como objetivo principal consolidar seu espaço e seu papel dentro da PUCPR, ao mesmo tempo em que buscou tornar-se conhecido para o público externo ao universo acadêmico. Três princípios pautaram transversalmente seus projetos: 1) A aprendizagem do diálogo. É impossível promover um encontro transparente e profundo entre pessoas e saberes, sem o aprimoramento dos procedimentos de comunicação e a ampliação significativa dos lugares reais de acolhida. Aos poucos, percebe-se que é possível confrontar ideias, tendo em conta o respeito às diferentes formas de pensar e agir. Gera-se, nesse sentido, um verdadeiro “Átrio dos Gentios”. 2) A produção qualificada de conteúdos. Um dos papéis centrais do ICF é o de contribuir para que a PUCPR, como Universidade Católica e Marista, gere conteúdos relevantes acerca de sua Identidade e possa, diante dos desafios sociais, científicos, religiosos e culturais de nossa época, diagnosticar e responder, sempre com maior qualidade, a estas demandas urgentes. 3) Sintonizada à Nova Evangelização. O processo dinamizador e diversificado dos projetos do ICF colaboram para que o necessário diálogo entre ciência, cultura e fé seja realizado com entusiasmo e responsabilidade, com especial atenção às características da contemporaneidade e sem perder de vista a “Alegria do Evangelho”.

 

Direção de Arte: Bruno Martins

Conteúdo: Fabiano Incerti, Jean Michel Silva

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Projeto | Português para Haitianos

Projeto visa atendimento ao público haitiano residente na Vila Torres, região do entorno da Universidade

Iniciou em agosto o projeto Português para Estrangeiros com foco de atendimento ao público haitiano residente na Vila Torres, região do entorno da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR). O projeto surgiu através da articulação entre Diretoria de Identidade Institucional, Instituto Ciência e Fé, Escola de Educação e Humanidades, Núcleo de Direitos Humanos e Núcleo de Línguas da PUCPR com o Instituto Vida Nova.

Em meados de 2010, quando um grande terremoto devastou o país caribenho, iniciou-se um movimento migratório de haitianos para o Brasil que se intensifica a cada ano. De acordo com dados do Ministério da Justiça, atualmente existem mais de 21mil imigrantes trabalhando de forma regular no país. Na cidade de Curitiba, segundo a Pastoral do Migrante, o número está entorno de 2000 haitianos, do qual 60% são do sexo masculino, com idade entre 20 e 40 anos. Percebendo este contexto e a importância da aproximação com a comunidade do entorno, o Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR reuniu lideranças da Vila Torres para viabilizar a capacitação qualificada dos imigrantes. “Nós entendemos que é de fundamental importância que a Universidade abra as portas e acolha os haitianos ofertando um curso que auxiliará a superar a primeira barreira que eles enfrentam ao chegar ao Brasil: o idioma” relatou Jucimeri Isolda Silveira, Coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos.

O projeto possui três grandes objetivos: o primeiro é o de desenvolver o conhecimento e as habilidades de produção e compreensão oral do português; o segundo é o de desenvolver estas capacidades para produção de gêneros textuais carta de apresentação e currículo, com o intuito de preparar os alunos para inserção no mercado de trabalho e o terceiro é o de abrir a possibilidade de campo de estágio para os alunos de letras português/inglês da PUCPR. Ane Cibele Palma, Coordenadora do Núcleo de Línguas da PUC PR, considera que esta também é uma possibilidade do Núcleo trabalhar com uma função social, vivenciando os valores Maristas. “Temos professores de diversas áreas e este projeto nos abre portas para que possamos desenvolver outras atividades com uma comunidade em situação de vulnerabilidade tão próxima de nós.”

Para Teuvenot Elisias, um dos alunos do curso, o projeto concede a possibilidade de desenvolvimento humano e garante o acesso às oportunidades. “Temos muita dificuldade com a língua. Precisamos falar bem o português para poder ter acesso à Universidade – como cursos de graduação e pós-graduação, e a um trabalho digno.”

Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR
Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR

Átrio dos Gentios, uma lembrança.

Uma pequena recordação da participação no projeto Átrio dos Gentios, do Pontifício Conselho para a Cultura da Santa Sé, realizado em Buenos Aires. Uma profunda e sensível reflexão sobre a relação dos escritos do poeta Jorge Luis Borges e a transcendência.

BORGES Y YO

Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mecánicamente, para mirar el arco de un zaguán y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biográfico. Me gustan los relojes de arena, los mapas, la tipografía del siglo xviii, las etimologías, el sabor del café y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor. Seria exagerado afirmar que nuestra relación es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir, para que Borges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica. Nada me cuesta confesar que ha logrado ciertas páginas válidas, pero esas páinas no me pueden salvar, quizá porque lo bueno ya no es de nadie, ni siquiera del otro, sino del lenguaje o la tradición. Por lo demás, yo estoy destinado a perderme, definitivamente, y sólo algún instante de mi podrá sobrevivir en el otro. Poco a poco voy cediéndole todo, aunque me consta su perversa costumbre de falsear y magnificar. Spinoza entendió que todas las cosas quieren perseverar en su ser; la piedra eternamente quiere ser piedra y el tigre un tigre. Yo he de quedar en Borges, no en mí (si es que alguien soy), pero me reconozco menos en sus libros que en muchos otros o que en el laborioso rasgueo de una guitarra. Hace años yo traté de librarme de él y pasé de las mitologías del arrabal a los juegos con el tiempo y con lo infinito, pero esos juegos son de Borges ahora y tendré que idear otras cosas. Así mi vida es una fuga y todo lo pierdo y todo es del olvido, o del otro. No sé cuál de los dos escribe esta página. (El hacedor. Buenos Aires: Emecé, 1960)

 

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